O artigo propõe uma reflexão que ultrapassa o campo literário para resgatar a força histórica e intelectual do Pan-africanismo. A partir da análise da obra O Avesso da Pele, de Jeferson Tenório, realiza-se uma breve retrospectiva dos movimentos políticos, sindicais e intelectuais que sustentaram o ideal panafricanista. Evidencia-se, por meio da produção literária, que as discussões sobre descolonização, autonomia do pensamento e crítica ao eurocentrismo remontam a mais de dois séculos, ainda que muitas dessas vozes tenham sido silenciadas ou invisibilizadas pela crítica contemporânea. O estudo revela que grande parte do pensamento brasileiro considerado “inovador” na atualidade apenas retoma — muitas vezes sem o devido reconhecimento — fundamentos já elaborados pelos intelectuais panafricanistas e pelos movimentos negros que os precederam.
Pesquisadores da UEPB produzem artigo de profunda relevância para a área de Ensino de História, Culturas Africanas e Afro-Brasileiras e Mídias Educacionais. O estudo propõe uma reflexão epistemológica e didática sobre a inserção estratégica do filme brasileiro com narrativa negra como aporte material-didático no contexto da educação básica.
Este artigo teve por objetivo fazer um apanhado linguístico da República da Guiné-Bissau. Com a influência de várias línguas, surge o crioulo, o guineense, que carrega características vivas da sociedade guineense e que se tornou a mais falada no país. Uma língua como bem aponta a pesquisadora de linguística da UFC, completa e que tem o direito de ser descrita.
Este artigo, embasado na Linguística Aplicada crítica (Moita Lopes; Fabrício, 2019) e na abordagem interseccional (Collins; Bilge, 2021), foca na invisibilidade de mulheres negras com 60 anos ou mais, não-alfabéticas (na ótica grafocêntrica) da Região Nordeste, nas políticas públicas universalistas. A pesquisa, que utiliza revisão de literatura e análise de dados secundários do Censo Demográfico 2022 (IBGE, 2024) sob a ótica da Teoria Racial Crítica (Ferreira, 2014), demonstra como o Estado historicamente perpetua a desigualdade racial e social e violenta essas mulheres no acesso a bens simbólicos e materiais.
O presente artigo desenvolve uma resenha crítica acerca da incorporação da pluri-etnicidade e multiculturalidade no texto das Constituições de nações sul-americanas, com foco especial no Brasil.
O racismo estrutural, arraigado nas instituições acadêmicas, reflete-se na ausência de representatividade negra no corpo docente e na perpetuação de currículos eurocêntricos. Microagressões e práticas como o racismo recreativo reforçam sentimentos de exclusão e inadequação, impactando a autoestima, a saúde mental e o desempenho acadêmico dos estudantes.
A narrativa, marcada por lirismo e introspecção, tematiza o amor, a solidão e a memória de uma mulher negra que reflete sobre um relacionamento atravessado por afetos, perdas e autopercepção. Dialogando com teóricas como bell hooks, Lélia Gonzalez, Grada Kilomba, Sueli Carneiro e Patrícia Hill Collins, busca-se compreender como a autora constrói uma poética da sensibilidade afro-diaspórica, na qual o corpo feminino negro emerge como território de memória, resistência e reexistência.
O conto “Pássaro de Césio”, de Elisabete Nascimento, é uma narrativa de denúncia e memória que desvela, por meio da metáfora do pássaro metálico, o horror cotidiano imposto às comunidades periféricas e negras do Brasil. A autora transfigura a realidade da favela em uma escrita que combina dor, poesia e lucidez política, em um gesto que ecoa a escrevivência.
“Mainha” é um conto que combina lirismo, afeto e crítica social. Nágila Oliveira dos Santos constrói uma narrativa sobre dor, resistência e emancipação, marcada pela presença de elementos afro-brasileiros, da cultura rural e das tensões de gênero e sociais.
O artigo propõe uma análise comparativa das concepções e experiências do corpo no Candomblé e na Umbanda, a partir das narrativas de Pai Deo de Ogum, sacerdote do Candomblé Efon, e Mãe Gabriela Catorza, dirigente de um terreiro de Umbanda. A pesquisa, de caráter qualitativo, articula diferentes perspectivas socioantropológicas. Com base em entrevistas em profundidade e observação participante realizadas em terreiros do Rio de Janeiro — à luz dos princípios da micro-história e da etnografia —, o estudo revela que, embora Candomblé e Umbanda compartilhem a visão do corpo como território sagrado, cada tradição desenvolve linguagens corporais próprias.
Uma análise teórico-decolonial da produção científica sobre o ensino técnico em serviços jurídicos e o vazio de pesquisas sobre raça, classe, gênero e sexualidades.
Este artigo acadêmico mergulha na análise crítica das políticas educacionais em Moçambique voltadas para a promoção e inclusão de mulheres jovens e adolescentes no sistema de ensino. Traz uma investigação profunda sobre os esforços governamentais para combater a histórica desigualdade de gênero na educação moçambicana e parte da hipótese de que, apesar dos esforços, as políticas públicas atuais são ineficientes e ineficazes, apresentando inúmeras fragilidades e barreiras.
A relevância deste estudo reside na necessidade de compreender e revelar o racismo genderizado e seus impactos nas trajetórias de vida e formação, e coloca-se em uma encruzilhada, na qual a marginalização das mulheres negras atravessa as dinâmicas da EPT. Partir das narrativas e memórias dessas mulheres é reconhecê-las como sujeitos políticos e produzir, na seara acadêmica, discursos outros, capazes de romper com um longo processo histórico de apagamento.
O trabalho destaca a organização e a estrutura da Ciência da Informação, analisando as relações interdisciplinares com a epistemologia. Explora o desenvolvimento da Ciência da Informação em Moçambique, abordando alguns problemas epistemológicos da disciplina a fim de trazer uma fundamentação científica da Ciência da Informação no país.
Trata-se de pesquisa qualitativa, que constou de revisão bibliográfica em torno da temática e imersão etnográfica junto aos grupos de bois pintadinhos de diferentes bairros da cidade de Macaé (RJ). As reflexões permitiram compreender o boi pintadinho como uma legítima expressão cultural negra, que materializa nas suas práticas elementos tais como: antífona, chamada e resposta, improvisação, polirritmia e movimento espiralar.
Ao explorar temas como a colonialidade, o patriarcado, a resistência e as heranças culturais, o estudo se concentra em compreender como essas autoras utilizam a literatura como um espaço de resistência e reapropriação de narrativas históricas e afetivas. Parte da análise da produção de escritoras como Paulina Chiziane (Moçambique), Chimamanda Ngozi Adichie (Nigéria) e Nadine Gordimer (África do Sul) dentre outras.
[…] é uma narrativa de reencontro, liberdade e reparação tardia, tecida com a sensibilidade de quem compreende o tempo não apenas como cronologia, mas como território de afetos e recomeços. Ambientado no Rio de Janeiro, entre Madureira, Paquetá e a Baía de Guanabara, o texto constrói uma ponte entre passado e presente para narrar a travessia emocional de Ceição, uma mulher idosa que, após décadas de repressão e silenciamento, reencontra no carnaval e no amor a possibilidade de reviver a si mesma.
Artigo de pesquisadoras da UFTM se propõe a ser uma das raras produções acadêmico-científicas a abordar a temática da adoção inter-racial sob a ótica da organização social. Através de uma robusta pesquisa bibliográfica e documental, o estudo reflete sobre os caminhos e os resultados da ação dos Grupos de Apoio à Adoção (GAA) como medida crucial na garantia dos direitos de crianças e adolescentes. A reflexão apresentada ilumina as propostas de trabalho desses sujeitos coletivos, que se consolidam como uma nova e fundamental forma de organização na contemporaneidade.
Imagem: Divulgação
Este estudo se debruça sobre a obra Torto Arado, de Itamar Vieira Júnior, com o objetivo de compreender como aspectos da cultura e da história do povo negro no Brasil são representados na narrativa. Para isso, propõe-se uma leitura da alegoria da casa na obra, elemento que ressoa memórias evocadas pelas lembranças das três personagens narradoras, as quais forjam uma memória cultural marcada pelo legado de resistência à escravidão.
Este artigo mergulha nas investigações sobre a colonialidade para propor a decolonialidade como uma estratégia urgente de reconstrução social e política. Refletindo sobre as implicações da perspectiva decolonial para o desenvolvimento de processos educacionais críticos, o estudo realiza um panorama bibliográfico fundamental, com base em autores como Kabengele Munanga, Nilma Lino Gomes, Boaventura de Sousa Santos, Vera Maria Candau dentre outros.
O Grêmio Estudantil (GE) é um órgão colegiado representativo dos interesses dos estudantes nas escolas de Educação Básica. O estímulo para sua existência e atuação é fundamental para a construção de espaços de representatividade e protagonismo juvenil. Destarte, questiona-se: a Escola Simão Ângelo em Penaforte-CE tem incentivado a participação de alunas na composição do GE, contribuindo para o empoderamento feminino e promoção da equidade de gênero conforme o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nº 5 da Organização das Nações Unidas (ONU)?
O estudo revelou que as mulheres, foram as mais afetadas pela falta de políticas educacionais voltadas a elas, e atualmente são as que mais buscam recursos fora da comunidade para oferecer aos seus filhos. Da mesma forma, foram as responsáveis, em criar ambientes seguros e afetuosos, durante o desenvolvimento do Projeto de Leitura de Editais, imprescindíveis à aprovação destes jovens no vestibular.
O racismo é uma estrutura que afeta a sociedade biopsicossocialmente e se fundamenta em esferas econômicas, educacionais e políticas assim como nas relações de saúde (mental). Mediante essa realidade, este ensaio crítico buscou debater a necessidade da decolonização da Psicologia, especificamente frente ao viés de raça, e apontou algumas das estruturas sociais que levam a população negra a ser vítima do racismo e como esse fenômeno deletério subsidia psicopatologias nessa população.
Na resenha crítica sã apresentados dois contos “A visita” e “O jovem, o cachorro e eu”, de Esmeralda Ribeiro, conhecida por seu domínio da linguagem poética e pela capacidade de articular, em narrativas curtas, questões de identidade, afetividade e resistência. Nestes dois contos são condensados temas centrais de sua poética: o autoconhecimento, a solidão e a potência do amor como forma de reconstrução do eu.
A narrativa, marcada por lirismo e introspecção, tematiza o amor, a solidão e a memória de uma mulher negra que reflete sobre um relacionamento atravessado por afetos, perdas e autopercepção. Dialogando com teóricas como bell hooks, Lélia Gonzalez, Grada Kilomba, Sueli Carneiro e Patrícia Hill Collins, busca-se compreender como a autora constrói uma poética da sensibilidade afro-diaspórica, na qual o corpo feminino negro emerge como território de memória, resistência e reexistência.
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